No Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais especialista alerta para a importância do diagnóstico por serem doenças silenciosas

Em casos crônicos, doenças podem causar danos ao fígado, como cirrose ou câncer

No Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais especialista alerta para a importância do diagnóstico por serem doenças silenciosas

    Vinte e oito de julho é o Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais. Grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, elas causam inflamação no fígado, provocadas por diferentes tipos de vírus e apresentam características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais distintas.

    Segundo o gastroenterologista do Corpo Clínico do Hospital de Caridade de Erechim, Carlos Henrique Azambuja, milhares de pessoas no Brasil são portadoras dos vírus B ou C e não sabem - correndo o risco de, em caso de evolução, tornarem-se doenças crônicas, causando graves danos ao fígado, como cirrose e câncer. 

 

Números que impressionam

    Todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais causam 1,7 milhão de mortes no mundo. No Brasil, as mais comuns são as causadas pelos vírus A, B e C. De acordo com a OMS, mais de 300 milhões de pessoas vivem com infecção crônica pelos vírus B e C, sendo que esses dois tipos são responsáveis por 96% da mortalidade global pela doença. 

    No Brasil, entre 1999 a 2018, foram registrados 632.814 casos da doença. Desse total, 167.108 (26,4%) foram do tipo A, 233.027 (36,8%) do B, 228.695 (36,1%) do C e 3.984 (0,7%) do D. No RS, neste mesmo período, foram registrados 69.783 casos, sendo 10.043 (14,4%) do tipo A, 21.827 (31,3%)  do tipo B, 37.851 (54,2%) do C, 63 (0,1%) do D. Em Erechim, também nesse período, foram registrados 719 casos, sendo que 83 (11,5%) casos do tipo A, 520 (72,3%) do B, 114 (15,9%) do C e 2 (0,3%) do D. Os dados são do Portal Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde). 

    Na região Alto Uruguai, as hepatites mais comuns são a A, B e C - sendo o diagnóstico feito por meio de exames laboratoriais. Na maioria das vezes não há sintomas presentes e estes, quando percebidos, geralmente são inespecíficos (mal estar, enjoos, dor abdominal (corporal), febricula). Com pouca frequência, apresentam o quadro clássico: a icterícia (amarelão), dor abdominal, febre, náusea e vômitos. 


HEPATITE A

    A hepatite A, informa Carlos Henrique Azambuja, é uma doença de transmissão fecal-oral, por contato entre indivíduos ou por meio de água ou alimentos contaminados pelo vírus. Com a melhora nos últimos anos das condições de higiene e saneamento básico, a incidência vem diminuindo. Os casos são pontuais e eventualmente surge algum surto. 

    A enfermidade tem evolução favorável. A maioria dos pacientes evolui para a cura e cerca de 1 em 1.000 pode evoluir para óbito. “É uma doença que não cronifica: ou ela evolui bem e cura ou ela raramente mata”, explica o médico. Conforme lembra o especialista, era basicamente uma doença da infância e há algumas décadas era muito comum pelas más condições de saneamento. Atualmente, com o uso de água tratada e melhora do saneamento para a população, ocorreu a diminuição do número de casos. Existe vacina para a hepatite A e faz parte do Cartão de Vacinação. Ela não tem um tratamento especifico, apenas sintomático. 


HEPATITE B

    A hepatite B é uma doença de transmissão sexual ou parenteral, por seringa e agulha contaminada. Existe a contaminação vertical, que é da mãe para o filho na hora do parto ou da cesaria. Geralmente a doença evolui bem. Em torno de 90% evolui para a cura espontânea, cerca de 1% dos casos pode evoluir desfavoravelmente para uma hepatite fulminante e morte, e, em torno de 10% dos casos evoluem para doença crônica. “Esse para mim é o maior problema, pois a doença crônica geralmente é assintomática e só é diagnosticada através de exames”, alerta o médico. 

    Detectada a hepatite crônica, hoje há bons tratamentos para o controle da doença. “Tratamos a Hepatite B crônica há vários anos, mas de 2009 para cá temos medicamentos via oral, comprimidos, que controlam muito bem a doença e evitam a evolução. Raramente conseguimos curar uma Hepatite B, mas conseguimos controlar muito bem, desde que se tome a medicação adequada”, salienta Azambuja. Os pacientes que não sabem que têm a doença e/ou que não recebem tratamento podem evoluir para cirrose hepática e câncer de fígado.

    A Hepatite B tem vacina efetiva e já faz vinte anos que está no calendário de vacinação. As crianças a recebem ao nascer. Com isso, espera-se que nos próximos anos ela diminua e seja praticamente erradicada.


HEPATITE C

    A Hepatite C também é uma doença de transmissão parenteral, ou seja, por meio de seringa, agulha ou alicate de unha. A transmissão sexual também existe, em menor porcentagem como na Hepatite B. A Hepatite C geralmente é assintomática, de 80 a 90% das vezes ela cronifica e a doença permanece. 

    De acordo com Azambuja, se a Hepatite C não for tratada tem alto risco de evoluir para cirrose hepática e também para câncer de fígado.

    Entretanto, conforme explica o médico, houve uma evolução muito boa no tratamento da Hepatite C, chegando próxima a 100% de cura. As medicações são via oral: um, dois ou três comprimidos por dia por um período de 12 a 24 semanas. “Geralmente por 3 meses com um índice de cura acima de 99%”, assegura o gastroenterologista. Para ele, o importante é realizar o diagnóstico para tratar e curar esses pacientes. Espera-se que até 2030 a doença seja erradicada, apesar de ainda não existir vacina para preveni-la. Por isso, a importância da prevenção: ter relações sexuais com proteção e evitar compartilhar agulha, seringa e alicate de unha.


MITOS E VERDADES

Hepatite C dá câncer.

Verdade. Se não diagnosticada precocemente e tratada, a Hepatite C pode gerar lesão hepática até se transformar em um câncer de fígado, levando o paciente à morte.

A Hepatite C pode ser curada.

Verdade. Dependendo do tipo de vírus, da velocidade do diagnóstico e depois de passar por um tratamento adequado a Hepatite C pode ser extinta do sangue do paciente, chegando à cura da doença

A Hepatite A evolui para a B e a B evolui para a C.

Mito. São doenças diferentes provocadas por vírus diferentes.

Benzedura, chás e xaropes curam a hepatite

Mito. Não, o que cura é um tratamento eficaz com acompanhamento médico.



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