Importância de nutricionistas no ambiente hospitalar para o restabelecimento da saúde

A nutrição é considerada indispensável no tratamento dos pacientes sendo parte fundamental da equipe multidisciplinar

Importância de nutricionistas no ambiente  hospitalar para o restabelecimento da saúde

    Estar com as condições nutricionais em dia, por meio do consumo adequado de alimentos saudáveis, macro e micro nutrientes e água potável, contribui para o fortalecimento do sistema imunológico, para a manutenção e a recuperação da saúde. Dependendo da patologia, o organismo precisa de uma maior demanda energética para o reestabelecimento das funções e auxílio no processo de melhora do quadro geral, daí a importância da avaliação nutricional e o plano terapêutico. E, para isso, os profissionais de nutrição têm um papel fundamental no ambiente hospitalar, porque são eles que cuidam da alimentação e de todos os processos de preparo e higiene dos alimentos.

    Nesse dia 31 de agosto, quando comemora-se o Dia do Nutricionista, o nosso bate-papo é com as nutricionistas do Hospital de Caridade de Erechim, Letícia Tomicki Zyger, Ananda Luiza Caramalak e Josilete Spazzini Ramos de Castilhos, que vão abordar a importância de o paciente seguir a dieta recomendada no hospital.

    Segundo as profissionais, quando se está internado, a dieta recomendada deve ser seguida pelos pacientes para que possa responder ao tratamento com mais eficácia. Nela são realizadas modificações quanto à textura, tipos de alimentos, formas de cocção e quantidades que, se feitas corretamente, auxiliam no controle e tratamento da patologia.

    As nutricionistas enaltecem, também, a importância do familiar ou cuidador neste processo. O paciente precisa de incentivo para se alimentar com a dieta prescrita, porque ela fornece todos os nutrientes que o organismo necessita para se recuperar e é quase tão importante quanto tomar a medicação corretamente, principalmente quando se necessita realizar diversos procedimentos e exames. “Se a dieta não for seguida podem ocorrer atrasos e prejudicar no diagnóstico correto”, afirmam.


A NUTRIÇÃO  NO AMBIENTE HOSPITALAR

    A nutrição no ambiente hospitalar antigamente era vista somente como elaboração de cardápios e produção das diferentes dietas prescritas (hipossódica, para DM – Diabetes Mellitus -  pastosa, líquida pastosa, entre outras). A nutricionista permanecia na cozinha do hospital para monitorar a montagem dos pratos e liberação das dietas aos pacientes. Na avaliação das nutricionistas, atualmente a nutrição no ambiente hospitalar evoluiu muito em relação ao acompanhamento a beira leito dos pacientes internados.

    Hoje a nutricionista realiza triagem e avaliação nutricional onde é diagnosticado o risco nutricional dos pacientes internados e a partir desta avaliação é realizada a prescrição de suplementos nutricionais, dietas enterais e dietas orais específicas que auxiliam na melhora do estado geral e na recuperação dos pacientes, evoluindo e alterando a dieta de acordo com o plano terapêutico, realizando orientações para a manutenção da dieta após a alta hospitalar. Para as profissionais, a nutrição é considerada indispensável no tratamento dos pacientes sendo parte fundamental da equipe multidisciplinar.


SERVIÇO DE NUTRIÇÃO E DIETÉTICA DO HC

    O Serviço de Nutrição e Dietética (SND) do Hospital de Caridade é composto por três nutricionistas. Letícia Tomicki Zyger, Nutricionista Responsável Técnica do Serviço de Nutrição e Dietética, atuando no HC há 10 anos como nutricionista clínica e responsável pelo Lactário onde são preparados e dispensados os leites maternos e fórmulas infantis para a UTI Neonatal, maternidade e pediatria.

    Nutricionista Ananda Luiza Caramalak atua no HC há 6 anos como nutricionista clínica e responsável pelo serviço de copas onde são liberadas as dietas, montagem e entrega dos pratos aos pacientes e assistentes. As nutricionistas clínicas atuam à beira leito, fazendo o acompanhamento diário de pacientes em risco nutricional. 

    Nutricionista Josilete Spazzini Ramos de Castilhos, no HC há aproximadamente dois anos, é responsável pelo setor de cozinha e padaria, elaborando cardápios para a produção de lanches e demais refeições que são distribuídas para pacientes internados, além de lanches e almoços distribuídos pela lanchonete do HC, totalizando em média 150 kg em refeições divididas em café, almoço e jantar e 320 lanches divididos em lanches para lanchonete e lanche e ceia para pacientes diariamente.

    Elas lideram uma equipe de 36 funcionárias: cozinheiras, doceiras, auxiliares de produção, copeiras e higienizadora.


DIETAS OFERECIDAS AOS PACIENTES

    As dietas oferecidas aos pacientes no Hospital de Caridade são classificadas em:

Oral: dietas fornecidas aos pacientes com condições de alimentação via oral. São servidas conforme prescrição do médico ou nutricionista. Dentre as dietas mais comuns estão: hipossódica (para paciente com restrição de sódio), DM (para pacientes diabéticos), IRC (pacientes com insuficiência renal crônica), isenta de glúten e/ou lactose. Contempla também as dietas com consistências modificadas: líquida, líquida/pastosa, líquida completa, pastosa, entre outras. A dieta via oral pode ser complementada com suplementos ou módulos, conforme a necessidade de cada paciente.

Enterais: dietas fornecidas aos pacientes críticos que fazem uso de sonda naso enteral (SNE), gastrostomia ou jejunostomia para alimentação. Em sistema fechado por meio de bombas de infusão, são utilizadas somente dietas industrializadas que não necessitam manipulação, garantindo 100% à qualidade do produto. 


ALIMENTOS NÃO INDICADOS PODEM SER PERIGOSOS À RECUPERAÇÃO

    “A alimentação de um paciente hospitalizado deve ter cuidado redobrado”, afirma a nutricionista Letícia Tomicki Zyger. Conforme explica, o processo de produção das refeições do hospital começa desde o pedido de compra até o produto final, mantendo e seguindo todas as normas da Anvisa. “Podemos garantir que a alimentação hospitalar é a mais segura, pois segue todas as orientações e determinações dos órgãos de fiscalização”, sentencia Letícia.

    A nutricionista Ananda Luiza Caramalak enfatiza que é comum que amigos e familiares queiram fazer um agrado para o paciente e levem alguma comida especial que ele gosta durante uma visita ao hospital. Mas ela assegura que esta não é uma boa ideia, pois a equipe de nutrição planeja a alimentação do paciente hospitalizado para que seja adequada ao seu estado de saúde. “Por isso, ele deve seguir à risca as orientações de dieta no hospital”, reforça.

    De acordo com Ananda, a função dos alimentos, principalmente no ambiente hospitalar, vai muito além de simplesmente manter a saciedade. Uma alimentação adequada e saudável garante uma boa nutrição e o funcionamento adequado de todo o corpo. “Ela influencia, e muito, na recuperação da saúde”, enaltece. 


COMO MANTER A IMUNIDADE ALTA

    De acordo com a nutricionista Josilete Spazzini Ramos de Castilhos, o cenário atual demanda um cuidado redobrado não só com a higiene, mas também com a alimentação, uma vez que estar com as condições nutricionais em dia, por meio do consumo adequado de alimentos saudáveis e água potável, contribui para o fortalecimento do sistema imunológico, para a manutenção e a recuperação da saúde.

    Segundo ela, alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras, grãos diversos, oleaginosas, tubérculos, raízes, carnes e ovos são saudáveis e são excelentes fontes de fibras, de vitaminas, minerais e de vários compostos que são essenciais para a manutenção da saúde e a prevenção de muitas doenças. “Inclusive aquelas que aumentam o risco de complicações do Coronavírus, como diabetes, hipertensão e obesidade”, ressalta Josilete.

    Em geral, os alimentos ricos em nutrientes, como vitaminas A, C e D, ômega-3, zinco e ferro, também estão entre os principais fortalecedores do sistema imunológico. Entre os exemplos estão: limão, laranja, abacaxi, kiwi, brócolis, couve, espinafre, feijão, beterraba, grão de bico, aveia, amêndoas e castanhas. “Destes alimentos também é importante lembrar de aumentar o consumo em períodos de safra, pois neste momento esses alimentos concentram maior quantidade de compostos”, afirma a nutricionista.


CUIDADO REDOBRADO COM A ALIMENTAÇÃO DOS IDOSOS

    Para as nutricionistas do HC, nesse momento de pandemia do novo coronavírus, dentre os que compõem o grupo de risco, os idosos são os que requerem maior atenção. Elas afirmam que, assim como as medidas de isolamento que evitam a infecção, é fundamental redobrar os cuidados com a alimentação do idosos, que deve ser saudável e adequada. “Um pior estado nutricional pode deixar o organismo vulnerável e aumentar ainda mais o risco de complicações, caso haja infecção pela COVID-19”, alertam.

    Nesta fase, as nutricionistas percebem que  há alteração do paladar e a diminuição do consumo de alguns alimentos como carnes devido à dificuldade de mastigação. “Assim, é necessário o aumento da oferta de outros alimentos como ovos, leite e leguminosas ou alteração até mesmo de textura para incentivar o consumo de determinados alimentos como frutas e verduras. Também percebe-se a baixa ingesta de água”, destacam, alertando que ao sentirmos sede o organismo já está desidratado. “Nesta fase a sensação de sede neste público diminui consideravelmente, ocorrendo sérios quadros de desidratação, por isso a importância de ofertar líquidos de formas variadas para melhorar a ingesta”, destacam.


DICAS PARA EVITAR A CONTAMINAÇÃO DOS ALIMENTOS

Para evitar a contaminação por meio dos alimentos durante o manuseio e preparo, as nutricionistas  recomendam seguir estes passos:

Cozinhe bem os alimentos! Para os que são consumidos crus, atenção redobrada com procedência e higiene.

Não converse, espirre, tussa, cante ou assovie em cima dos alimentos, superfícies ou utensílios. Isso vale tanto para o preparo quanto para a hora de servir.

Faça a higienização adequada das superfícies (bancadas, mesas) e utensílios, principalmente após manipular carnes cruas ou vegetais não lavados.

Não use ou compre produtos com embalagens amassadas, estufadas, enferrujadas, abertas ou com outro tipo de defeito.

Limpe as embalagens antes de abrir ou guardar. Quando não for possível lavá-las com água e sabão, faça a higienização externa com álcool 70%, solução sanitária diluída ou mesmo com produto de limpeza multiuso.

Se estiver com sintomas gripais, utilize máscaras para preparar os alimentos e servi-los.

Adapte-se: “a pandemia do  Coronavírus (SARS-CoV-2) colocou a nossa rotina do avesso e nos trouxe diversas mudanças que têm refletido nos hábitos, no trabalho, nas relações, no corpo e na mente. Mas já que não dá para evitar tudo isso, encontrar formas estratégicas de se adaptar pode ser uma excelente saída para manter a vida em equilíbrio”, finalizam Letícia, Amanda e Josilete.







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