Fevereiro Laranja: mês de conscientização e combate à leucemia

Hematologista Adriana João destaca a importância do diagnóstico precoce da doença

Fevereiro Laranja: mês de conscientização e combate à leucemia

   

     A leucemia é um tipo de câncer que afeta a medula óssea (fábrica do sangue), e é geralmente de origem desconhecida. Nela, uma célula sanguínea que ainda não atingiu a maturidade sofre uma mutação genética, transformando-a em uma célula cancerosa. 

     De acordo com a hematologista Adriana João, médica do corpo clínico do Hospital de Caridade de Erechim, essas células multiplicam-se mais rápido que as normais e são resistentes à apoptose (morte celular programada). 

     Dessa forma, as células sanguíneas saudáveis da medula óssea vão sendo substituídas por células anormais cancerosas, causando a doença - que tem crescido no Brasil.

   Enquanto 5.721 fatalidades foram registradas no país em 2007, esse número chegou, em 2018, a 7.218, conforme os dados mais recentes disponibilizados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA). Justamente por isso, o ‘Fevereiro Laranja’ - mês de conscientização e combate à leucemia, ganha cada vez mais importância.  

    A seguir, apresentamos informações sobre a leucemia, destacando a importância da detecção precoce, meios de prevenção e os tratamentos disponíveis. 

    Boa leitura!


Saiba mais


  • O INCA estimou, para 2020, o surgimento de 10.810 novos casos da doença no Brasil, sendo 5.920 homens e 4.890 mulheres.
  • Existem vários tipos de leucemia, entre elas: leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (LLC). 


Detecção precoce


      A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor em fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.

     Ela pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais e de imagem, em pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença.

     O diagnóstico precoce da Leucemia possibilita melhores resultados em seu tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:

  • Palidez, cansaço e febre.
  • Linfonodomegalias (aumento dos gânglios)
  • Infecções persistentes ou recorrentes.
  • Hematomas, petéquias e sangramentos inexplicados.
  • Aumento do baço e do fígado.

    Embora muitas vezes esses tais sintomas não são causados por câncer, é importante que sejam investigados por um médico.


Diagnóstico


     Diante da suspeita de um quadro de leucemia, o paciente deve realizar exames de sangue, sendo referenciado para um hematologista, a fim de proceder a avaliação médica específica.

     O principal exame de sangue para confirmação da suspeita é o hemograma. Em caso positivo, o hemograma estará alterado, mostrando na maioria das vezes um aumento do número de leucócitos (na minoria das vezes o número estará diminuído), associado ou não à diminuição das hemácias e plaquetas. Outras análises laboratoriais devem ser realizadas, como exames de bioquímica e da coagulação, e poderão estar alteradas.

     A confirmação diagnóstica é feita com o exame da medula óssea (mielograma). Nesse exame, retira-se uma pequena quantidade de sangue, proveniente do material esponjoso de dentro do osso, para análise citológica (avaliação da forma das células), citogenética (avaliação dos cromossomos das células), molecular (avaliação de mutações genéticas) e imunofenotípica (avaliação do fenótipo das células).

     Algumas vezes pode ser necessária a realização da biópsia da medula óssea. Nesse caso, um pequeno pedaço do osso da bacia é enviado para análise por um patologista.


Tratamento


     O tratamento visa destruir as células leucêmicas para que a medula óssea volte a produzir células normais. 

    Nas leucemias agudas, o processo envolve quimioterapia (combinações de quimioterápicos), controle das complicações infecciosas e hemorrágicas, e prevenção ou combate da doença no Sistema Nervoso Central (cérebro e medula espinhal). Para alguns casos, é indicado o transplante de medula óssea.

     O tratamento é feito em etapas, indica em sua página o INCA. A primeira tem a finalidade de obter a remissão completa, ou seja, um estado de aparente normalidade após a poliquimioterapia. Esse resultado é alcançado em torno de um mês após o início do tratamento (fase de indução de remissão), quando os exames (de sangue e da medula óssea) não mais evidenciam células anormais.

     Entretanto, pesquisas comprovam que ainda restam no organismo muitas células leucêmicas (doença residual), o que obriga a continuação do tratamento para não haver recaída. Nas etapas seguintes, o tratamento varia de acordo com o tipo de célula afetada pela leucemia. Nas linfoides, pode durar mais de dois anos, e nas mieloides, menos de um ano, exceto nos casos de Leucemia promielocítica aguda, que também dura mais de 2 anos.

   Na Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), o tratamento é composto de três fases: indução de remissão, consolidação (tratamento intensivo com quimioterápicos não empregados anteriormente); e manutenção (o tratamento é mais brando e contínuo por vários meses). Durante todo o tratamento, pode ser necessária a internação do paciente por infecção decorrente da queda dos glóbulos brancos normais e por outras complicações do próprio tratamento.

     Na Leucemia Mieloide Aguda (LMA), a etapa de manutenção só é necessária para os casos de Leucemia promielocítica aguda - subtipo especial de LMA, muito relacionado com hemorragias graves no diagnóstico. Nesses casos, existe uma mutação genética específica que pode ser detectada nos exames da medula óssea e o tratamento com uma combinação de quimioterapia com um comprimido oral (tretinoina) possibilita taxas de cura bastante elevadas.

     O tratamento da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) não é feito com quimioterapia. Essa leucemia decorre do surgimento de um gene específico (gene BCR-ABL) capaz de aumentar a multiplicação celular através de uma proteína tirosina quinase. O tratamento é feito com um medicamento oral da classe dos inibidores de tirosina quinase, que inibe especificamente essa proteína anormal, que é a causa da LMC.  É um tratamento considerado “alvo específico”, porque o medicamento inibe a multiplicação das células cancerosas, mas não das células normais do organismo. Alguns casos de resistência ou falha ao tratamento inicial podem necessitar de quimioterapia e transplante de medula óssea.

    Na leucemia Linfocítica Crônica (LLC) agentes quimioterápicos, imunológicos (anticorpos monoclonais) e agentes orais podem ser utilizados no tratamento. A escolha dependerá de aspectos clínicos do paciente (como idade, presença de outras doenças, capacidade de tolerar quimioterapia) e da doença.


O que causa leucemia?


    A origem desse câncer ainda é desconhecida. O que se sabe é que certos fatores podem aumentar o risco de ele surgir. Entram na lista substâncias químicas, como o benzeno, formadeíldos e agrotóxicos, cigarro, exposição excessiva à radiação, além de algumas síndromes e doenças hereditárias. 


O que é e como se dá o transplante de Medula Óssea?


     Também chamado de transplante de células-tronco hematopoéticas, é um procedimento utilizado para substituir a medula óssea do paciente que não está funcionando adequadamente porque foi acometida por doenças.

    É na medula óssea que nascem as células-tronco hematopoéticas, que, na maturidade, passam por processo de diferenciação, tornando-se glóbulos brancos (que combatem infecções), vermelhos (que carregam o oxigênio), e plaquetas (que ajudam na coagulação) – quando estarão preparadas para serem lançadas na corrente sanguínea.


O que ocorre quando acontece uma falha na Medula Óssea?


     O problema da maior parte das doenças do sangue é uma falha nesse mecanismo, quando essas células sofrem uma mutação (normalmente sem causa conhecida), perdem suas funções e começam a atrapalhar o sistema. Pois nesse momento, o transplante entra como uma opção para combater esse transtorno e repovoar a medula com células saudáveis.


Quando fazer Transplante de Medula Óssea?


     O Transplante de Medula Óssea, de acordo com a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), é um procedimento, entre os que possibilitam a cura para algumas doenças hematológicas malignas, benignas e também neoplasias não hematológicas e doenças autoimunes.

     Para alguns casos, o transplante é indicado logo no início. Em outros, a opção só será aplicada se os primeiros tratamentos não apresentarem resultado. O especialista é quem saberá quando indicá-lo.

     As fontes de células-tronco para o transplante são:

  • Transplante de medula óssea,
  • Sangue periférico,
  • Cordão umbilical.


Quem pode doar?


    Por meio de uma simples atitude, muitos pacientes podem ficar livres do câncer. Quem quiser se tornar um doador de medula óssea voluntário, precisa seguir os seguintes passos:

  • Ter de 18 a 55 anos e estar em bom estado de saúde;
  • Procurar o hemocentro mais próximo;
  • Não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico;
  • Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso;
  • Preencher um formulário com dados pessoais e, neste mesmo dia, ter coletada uma amostra de sangue para testes que determinam as características genéticas necessárias para a compatibilidade entre doador e paciente.

    Os dados serão armazenados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Já os dados do paciente que necessita de um transplante estarão no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme). Por meio de um sistema informatizado, será realizado um cruzamento de dados e, caso encontre doador e paciente compatíveis, ambos serão avisados imediatamente.

    Hoje, o Brasil é o terceiro maior banco de doadores do mundo, com cerca de 3,5 milhões de cadastrados.


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